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Ferramentas Pessoais

Diálogo Online

Este blog foi criado em 2009 em meio à dissertação de mestrado da pesquisadora Angélica Ramacciotti

O objetivo é pensar coletivamente a prática pedagógica interativa, crítica, dialógica, libertária e emancipadora.

 - Muito bem - disse eu a eles. - Eu sei algumas coisas que vocês não sabem. Mas por que eu sei e vocês não sabem?
- O senhor sabe porque é doutor. Nós, não.
- Exato, eu sou doutor. Vocês não. Mas, por que eu sou doutor e vocês não?
- Porque foi à escola, tem leitura, tem estudo e nós, não.
- E por que fui à escola?
- Porque seu pai pôde mandar o senhor à escola.
O nosso, não.
- E por que os pais de vocês não puderam mandar vocês à escola?
- Por que eram camponeses como nós.
- E o que é ser camponês?
- É não ter educação, posses, trabalhar de sol a sol sem direitos, sem esperança de um dia melhor.
- E por que ao camponês falta tudo isso?
- Porque Deus quer.
- E quem é Deus?
- É o pai de todos nós.
- E quem é pai aqui nesta reunião?
Quase todos de mãos para cima, disseram o que eram. Me fixei num deles e lhe perguntei:
- Quantos filhos você tem?
- Três.
- Você seria capaz de sacrificar dois deles, submetendo-os a sofrimentos para que o terceiro estudasse, com vida boa no Recife?
Você seria capaz de amar assim?
- Não!
- Se você - disse eu - , homem de carne e osso, não é capaz de fazer uma injustiça dessa, como é possível entender que Deus o faça? Será mesmo que Deus é o fazedor dessas coisas? Um silencio diferente do anterior.
Em seguida:
- Não. Não é Deus fazedor disso tudo. É o patrão!

(Diálogo entre Paulo Freire e trabalhadores de Pernambuco. Extraído do livro Pedagogia da Esperança.)

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