Pedagogia do oprimido
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido, 8a ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1980.
O vocábulo grego Paideia significa ao mesmo tempo educar e civilizar. E no curso da história, Paideia tornou-se o sinônimo da própria cultura grega.
A alfabetização, primeiro passo para a educação e degrau imediato para uma etapa civilizatória, configura-se entre nós como um enorme esforço para expressar simples dados estatísticos.
Procura-se fazer com que o alfabetizando aprenda, tão-somente, a repetir palavras.
Paulo Freire, em sua "Pedagogia do Oprimido", propõe um método abrangente, pelo qual a palavra ajuda o homem a tornar-se homem. Assim, a linguagem passa a ser cultura.
Através da descodificação da palavra, o alfabetizando vai-se descobrindo como homem, sujeito de todo o processo histórico. O método de Paulo Freire não possui qualquer atitude paternalista em relação ao analfabeto.
Alfabetizar é ensinar o uso da palavra.
Pensar o mundo é julgá-lo, e o alfabetizando ao começar a escrever não deve copiar palavras, mas expressar juízos.
Assim, Paulo Freire aplica pela primeira vez no campo da pedagogia as palavras Conscientização - conscientizar, que em seu conteúdo vernacular específico se incluem no vocabulário de idiomas como o francês e o alemão, tidos como acabados e, em consequência, totalmente infensos à aceitação de neologismos.
Quando o Brasil aceita o grande desafio do desenvolvimento, nada mais necessário que atentar para o processo de civilização.
A "Pedagogia do Oprimido" é um rumo neste caminho, pois não é possível supor êxitos no campo econômico, sem o alicerce de um povo que educa para civilizar-se.








