Univesp
Um nível acima
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O Programa Univesp, composto pelas universidades estaduais paulistas (USP, UNESP e UNICAMP) com a proposta de oferecer formação superior na modalidade a distância, tem gerado muita polêmica entre educadores e estudantes. Sugiro que a discussão desse tópico seja iniciada a partir da leitura do texto "O governo Serrra detona a educação paulista", publicado na Revista Caros Amigos. Alguns trechos foram destacados para reflexão:
"O coletivo 'Universidade para quem?', formado por estudantes de graduação e pós-graduação da USP, caracteriza o projeto como 'expansão de vagas sem garantia de verbas', e vê nele o intuito de transformar as universidades paulistas em formadoras de técnicos com título de bacharel, atendendo apenas a demandas de mercado e a intuitos eleitoreiros em uma antecipada e velada campanha à presidência do Brasil."
A professora de Física Lighia Matsushigue, o Andes (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) acredita que “ensino à distância” não pode nem ser qualificado como educação, e que não é “apropriado para a formação inicial, em qualquer profissão, muito menos na de professor”. Esta modalidade também não proporcionaria “a formação humanista necessária para o crescimento da personalidade”, e deveria no máximo ser proposta “em situações muito especiais."
Caio Matsui, estudante de Ciências Econômicas e Coordenador do DCE (Diretório Central de Estudantes) da Unicamp, afima que os estudantes não são contrários a qualquer uso da tecnologia na educação: “Entendemos que para algumas circunstâncias como cárcere privado, para moradores de regiões longínquas e de difícil acesso, a educação à distância torna-se um importante instrumento de democratização e de acesso ao ensino superior”. Ele ressalta, no entanto, que não seria esse o caso da Univesp, que pretende formar professores, não propõe expansão dos campi e não leva em conta o “tripé ensino, pesquisa e extensão”.
Expresse a sua opinião, acrescente outras informações e amplie esta discussão.
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Ni!
Parte do problema da UNIVESP é que, ao menos na USP, onde estou, vem sendo implantada de cima para baixo, por uma gestão universitária sem bom senso e com um desperdício visível de recursos e gente picareta no comando da operação.
As pessoas que a defendem apenas pela idéia terão então a responsabilidade de conhecer melhor a realidade e brigar para corrigir seus problemas, que serão muitos, antes e depois de começar.
Eu continuo favorável a interromper o processo, iniciado mais por oportunismo que por oportunidade, e repensá-lo em fundações sólidas. A USP nem sequer tem uma política moderna de acesso à produção científica ou extensão universitária, nem tem um único caso de sucesso de educação superior em larga escala. As outras universidades envolvidas tampouco.
Sair fazendo algo desta dimensão é imaturidade e submissão a interesses políticos. A UNIVESP não será necessariamente ruim e pode-se esperar alguns bons resultados. Mas proporcionalmente aos imensos recursos empregados, os prospectos deixam muito a desejar, exceto nos números que interessam a campanhas eleitorais.
Abs,
ale
~~
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Essa matéria da Caros Amigos está bastante parcial com a Univesp. É muito triste associar esse projeto a algo que acabaria com a formação de professores. É um elitismo extremo que os alunos e docentes da USP neguem a Univesp aos professores de escolas públicas.
E ead só funciona em cárcerer privado? Então o Caio Matsui deve achar também que a educação só funciona em cárcere privado, como no caso de professores que nem mesmo deixam seus alunos irem ao banheiro.
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Cara Renata,
Sou solidária com a sua indignação. Quem pesquisa EAD, com as interfaces fórum, blog, chat, wiki, entre outras, que tem docentes com formação qualificada e específica, sabe que existem trabalhos sérios. Muito sérios.
Quanto aos não sérios, como disse o professor Marco Silva, em entrevista à Revista Paidéi@: "Caberá aos avaliadores do INEP barrar o afã mercadológico dos capitalistas proprietários dos sistemas de ensino de massa, que põem a perder a finalidade precípua da educação e, particularmente, promovem a banalização da educação não presencial, o que só faz aumentar o coral dos seus resistentes e detratores."
A reportagem publicada pela Revista Caros Amigos aborda outros aspectos referentes à Univesp, como por exemplo, "a expansão de vagas sem garantias de verbas." Compartilho algumas preocupações de professores e alunos, representados por sindicatos e diretórios.
Hoje mesmo estive no SINPRO-SP acompanhando um debate sobre legislação na EAD e uma das questões discutidas dizia respeito às implicações que o termo “tutor” traz para a atividade docente. Será que haverá salários aviltantes e desqualificação profissional, a serviço dos interesses patronais? Renata: Qual é a sua opinião sobre esta questão?
Angélica.
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Cara Angélica e Renata,
Sou solidária, também, com a indignação de vocês!
Penso que no século XXI é um absurdo a professora de Física Lighia Matsushigue, o Andes acreditar que “ensino à distância” não pode nem ser qualificado como educação, e que não é “apropriado para a formação inicial, em qualquer profissão, muito menos na de professor” a educação a distância não pode ser considerada como educação.
Depende de como conceituamos "Educação". Qual tipo de educação estão apontando? Será que é da educação "bancária"? Se for, ela também existe no ensino presencial, muito pior ainda, pois o aluno apesar de estar presente em aula, ele não tem voz. As aulas funcionam como um espetáculo, o professor na frente apresentando suas idéias e o aluno como uma platéia assiste.
Na educação on line isto já está sendo superado por meio das interfaces que a web 2.0 possibilita para interatividade e cooperação.
Além disso nos países mais desenvolvidos a educação on line é encarada como Educação Aberta, todos (até mesmo de outros países) podem participar e obter sua formação seja inicial ou continuada, além disso o aluno que estuda a distância possui mais autonomia e determinação para o estudo.
Acredito que no Brasil, estamos avançando mais nesta questão. Já foi implantada a Universidade Aberta e agora com a UNIVESP garantirá que mais pessoas e principalmente professores obtenham formação adequada em instituições de qualidade.
As instituições públicas serviriam de modelo para as particulares que visam o mercado. Desta forma garantiria-se a qualidade e não só o acesso!
O que você acha Angélica?
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Diane - Eu também sou otimista e acredito que estamos avançando, mas respondo a sua pergunta com uma provocação, para refletirmos juntas:
Será (mesmo) que as instituições públicas vão servir de modelo para as privadas? Que modelo é esse? UAB e UNIVESP são garantia de qualidade? Como estão sendo pensados os cursos? A educação dialógica, crítica e emancipadoravai acontecer, de fato?
Abraços.
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Chma-me a atenção desde o início da leitura a falta de politica publica para a educação, caracteristica do governo do PSDB desde o início de sua gestão a alguns anos atrás.
Claro que também vale ressaltar as iniciativas com relação à criação da Secretaria de Ensino Superior e a instituição da Univesp, mas feita da forma burocratica e legislativa que foi realizada, sem um plano de ação e metas clara e sem discussão com a comunidade academica parece ter gerado todos os conflitos que temos ouvido falar desde a ultiam greve na USP. Falta de dialogo de todos os agentes.
É decepcionante que vimos uma parcela da academia desmerecendo a autonomia da educação, possivel com a Ead nos vários ambitos em q se propoe a Univesp, e mais uma vez partindo de um principio politico unilateral que impossibilita o dialogo e a reflexão sobre as possibilidades das mídias na Educação.
E concordando com a Diane lembro comento que a Ead é um instrumental para a autonomia hodierna dos individuos, como não reconhece-la como educação? Quem o faz provavelmente parte de uma concepção bancária (como bem citou a colega) ou ainda de uma mentalidade tradicional e formalista da educação que supoe todo eixo da aprendizagem somente no professor (educador), não assumindo o carater dialogico do processo.
A Univesp, neste sentido, servirá como uma forma de universalizar o acesso a informação, ao conheciemnto e à educação partindo dos professores da educação básica, atualizando-os para o uso e aperfeiçoamento destes instrumentais.
Se a educação liberta, devemos assumir o caráter libertador que tem a Ead e reconhece-la como um instrumental importante e planejado na gestão pelo conhecimento.
O que não se pode é resignar-se à unilateralidade do dialogo e discussão e abandonar o projeto de democratização e universalização do conhecimento que tantos estudantes das universidades, principalmente publicas, parecem querer restringir.
Queixam-se dos mecanismos neo-liberais de manipulação e opressão, mas não buscam formas de universalizar os recursos e conhecimentos.
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